5 de jan de 2012

O TEXTO ABAIXO FOI ESCRITO SOB PERSPECTIVA ESTRITAMENTE BÍBLICA,
PARA O PÚBLICO QUE TEM NA BÍBLIA SUA REGRA DE FÉ E VIDA.

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   Acordou desanimado naquele primeiro dia do ano.
   Dormira mal por estar fora de casa e o mundo inteiro parecia estar de ressaca por conta dos excessos enquanto ele, incomodamente desperto e consciente, ouvia vir da rua os últimos sons das festas que teimavam em perdurar até aquela hora… talvez esperando para ver os primeiros raios de um sol que, ao menos naquele dia chuvoso, não iria surgir.
   Mesmo com os céus se desfazendo em água, o calor ainda era incômodo o suficiente para que o suor de seu corpo deixasse os lençóis úmidos, dificultando ainda mais que reconciliasse ao sono.
   Cansou de se revirar e, para não acordar a esposa com sua agonia, levantou e foi para a sala: considerou que assistir TV poderia distraí-lo…
   Ligou o aparelho e, num ato mecânico, sintonizou o canal de notícias: as imagens do réveillon se sucediam, apresentando os mais diversos lugares ao redor do globo, fogos de artifício — em pleno século 21 o ser humano, tão “evoluído”, ainda precisa se utilizar dos métodos primitivos de barulhos e luzes para “espantar os maus espíritos”? — venenosos e sempre matando ou ferindo alguém (até os inocentes), os mesmos repetitivos e vazios votos de “feliz ano novo”1
   É incrível como as pessoas gostam de se iludir, tapando os olhos para não ver que ano após ano as coisas vem piorando sucessiva e inexoravelmente em todos os aspectos relevantes: de que adianta o ser humano dispor de tanta tecnologia se ela está sendo usada apenas para identificar, contar e controlar cada pessoa?!
   Naquele exato momento ele sabia que havia gente morrendo por falta de comida… e de água, mas provavelmente até esses estavam cadastrados no sistema único de identificação.
   Aliás, a questão da água, naquele momento, o levou a rir sarcasticamente: quando nos idos de 1970 inventaram de que o petróleo iria acabar, o mundo entrou em pânico buscando por uma forma alternativa de energia. Quando, a partir do final dos anos 80, notaram que o petróleo não acabou… mudaram o “discurso do fim” para a água. Quando romperam o limiar de 2000 e viram que a historinha da água também iria pelo mesmo caminho… começaram a alardear “acidentes” em plataformas de petróleo por todo o mundo: era como se cavassem bem funda na terra e depois deixassem o óleo fluir, contaminando a água!
   Finalmente realizaram, em parte, ambas as profecias que atemorizavam a humanidade há tanto tempo: o petróleo encareceu e a água, contaminada por óleo, além de matar boa parte da população dos mares, acabou fluindo também para os rios e leitos subterrâneos, criando as condições de pânico ideais para que o controle sobre cada pessoa pudesse ser exercido com mais facilidade.
   As águas das famosas praias brasileiras agora eram de cor cinza chumbo e chegava a ser ridículo ver alguns fanáticos mergulharem nelas para saudar e ofertar ao espírito demoníaco que, segundo eles, era a “rainha do mar”… e saiam semelhantes os biguás agonizantes da Baía da Guanabara. Alguns, inclusive, adoeceram gravemente após esse verdadeiro sacrifício aos ídolos!
   De repente, percebeu que estava com fome.
   Por não querer ser incluso no sistema único de identificação, vinha a cada dia tendo mais dificuldades para suprir até mesmo as necessidades mais básicas: em praticamente todos os negócios era exigida a identificação biométrica!
   Após a maior crise financeira de toda a humanidade, o papel moeda, por seus custos, se tornou obsoleto: na época todos foram forçados a adotar uma série de cartões plásticos com tarjetas magnéticas ou chips.
   Não eram apenas os cartões de crédito, mas os bilhetes de pagamento do transporte público, os cartões que os mais pobres deveriam possuir para poder receber as esmolas governamentais… muitos chegavam a necessitar de dezenas de cartões para poder levar uma vida “normal”.
   Já nessa época surgiram os pioneiros da biometria, que propunham a utilização dos dados contidos no próprio corpo humano como forma de identificação única. Começaram, por assim dizer, de modo discreto, porém obrigatório: no sistema geral de identificação, nas habilitações, no sistema de alguns bancos, no sistema eleitoral…
   Ah… o sistema eleitoral “democrático”… e ninguém quis ouvir seus alertas naquela época, pois “a multa para quem não votasse era uma merreca” e, por isso, não valia a pena “criar confusão”: assim foi até o dia em que algum rato do governo cismou que — como a maioria da população comparecia às urnas — os poucos que preferiam pagar por sua ausência estavam cometendo o crime de “falta de civismo” e, por meio de lei, para “incentivar o comparecimento eleitoral”, tornou os custos da multa tão elevados que fariam uma pessoa comum ter de vender até sua própria moradia para poder custeá-los!
   Ninguém queria acreditar que algo tão absurdo estivesse acontecendo, mas de maneira semelhante já havia sido criada uma lei2 que obrigava as escolas a ensinar práticas  homossexuais, assim como outra que impedia os pais de educar seus filhos com a vara — e isso tudo foi providencial para o estabelecimento da geração mais perversa e selvagem que já viera ao mundo em solo brasileiro… e, de modo semelhante, estava ocorrendo proliferação parecida em todo o mundo3.
   O direito de educar seus próprios filhos foi suplantado pela obrigatoriedade de enviá-los para que fossem educados “sob o atento cuidado do sistema governamental” das escolas (tanto nas públicas quanto nas particulares que, nesse caso, tinham a obrigatoriedade da submissão ao sistema, sob a pena de revogação de suas licenças!): tinha gente até sendo presa por conta disso… quem pôde, saiu do país!
   Os que não puderam, enviaram seus filhos à escola e, em algum tempo, se surpreenderam quando algumas crianças começaram a chegar em casa cheias das ideias tortas, com conceitos completamente degradados sobre família, sexualidade… tudo isso ensinado em classe e como matéria cobrada nos exames de admissão às instituições públicas!
   Foi escândalo na mídia quando alguns desses pais, já arrependidos por haverem enviados seus filhos ao “sistema”, tentaram se utilizar da vara e acabaram presos sob acusações de “violência” e “homofobia”… sendo sentenciados a penas compatíveis às dos crimes hediondos!
   Enquanto isso, os políticos corruptos, tanto de “esquerda” quanto de “direita”, roubavam até diante das câmeras, sem nem mais ter medo de quaisquer tipo de sanção… só ia preso no país quem fosse pobre, burro ou, a partir daquela época, cristão genuíno…
   Foi a partir desse paradoxo — pessoas decentes presas e políticos corruptos soltos — que houve a “grande revolta eleitoral”, quando até mesmo os mais pobres (porém com o mínimo de temor a Deus) passaram a não aceitar o suborno governamental e apenas aqueles que tinham interesse na implementação do sistema foram às urnas: menos de 10% da população…
   A grande revolta eleitoral foi praticamente um movimento análogo à “primavera árabe” que ocorrera algum tempo atrás: o povo estava cansado da falsa democracia que lhes era oferecida, dos resultados manipulados das urnas “eletrônicas”, das eleições custeadas com dinheiro do contribuinte, dos horários políticos eleitorais, das leis estúpidas que remetiam ao sistema ditatorial, das promessas eleitorais nunca cumpridas…
   Só que os resultados foram catastróficos: num país — falsa e historicamente conhecido como “pacífico”, mais por conta da acomodação preguiçosa e ignorante de sua população — os conflitos se intensificaram de tal forma que se fez necessário, primeiramente, o “toque de recolher” (quando, além de ser obrigadas a ficar em casa, a população ficava até mesmo sem acesso à internet, podendo apenas assistir a programas devidamente manipulados pelo estado que passavam na TV).
   Como a força policial e militar empregada para fazer cumprir essa determinação era muito mal remunerada, o negócio (como tudo no Brasil) foi logo perdendo a seriedade e aí sim houve a grande tragédia: os mesmos grupos extremistas que andaram causando apagões e explodindo restaurantes se cansaram de dar apenas avisos e se utilizaram de um dispositivo nuclear que devastou quase completamente uma cidade inteira!
   O mais incrível é que os monstros se declaravam como “fundamentalistas cristãos”, mesmo nem sabendo o que realmente era o evangelho: não restava dúvida que aquela era apenas mais uma manobra daqueles que são capazes de sacrificar até mesmo seus “parceiros” para poder impor suas ideias a toda uma sociedade.
   Se fez necessária uma intervenção internacional e, a partir daquele pretexto, todos os que se afirmavam cristãos começaram a ser obrigatoriamente cadastrados conforme as empresas eclesiásticas que frequentavam, de modo que o direito ao culto apenas poderia ser exercido mediante a identificação biométrica de todos os presentes e, durante todo o evento, cada palavra deveria ser registrada em ata… não para que a Palavra de Deus fosse estudada, mas para que se garantisse que não houve a “pregação de ódio”…
   Foi nessa época que as coisas complicaram ainda mais para ele, pois há muito não participava desse sistema: havia assumido sobre si a responsabilidade de ser sacerdote mediante apenas a própria Palavra de Deus5 e, tanto por publicar textos na internet quanto por sua reconhecida falta de “flexibilidade” — tudo o que saísse “fora da Palavra” estava errado! — foi classificado como extremista de altíssima periculosidade, pois não havia sobre ele um “agente eclesiástico” que lhe “coordenasse” conforme os padrões “denominacionais” que, ao se observar atentamente, acabavam cumprindo exatamente as determinações governamentais… quaisquer que fossem estas!
   Também nessa época os entusiastas da biometria estavam, por assim dizer, acabando de “vencer a guerra tecnológica” para o estabelecimento de seus sistemas: todas as tarjetas plásticas foram abolidas em nome da praticidade de se passar a mão — ou encostar o rosto — em um dispositivo que, segundo eles, lhes daria “total segurança” de quem ali estava.
   Mesmo tendo trabalhado para o governo a ponto de por sua sanidade em risco, agora enfrentava sérias dificuldades até para retirar seus proventos do banco, pois havia se recusado categoricamente a participar do recadastramento biométrico: perdera sua habilitação de motorista não por incapacidade na direção, mas por não aceitar a biometria. Perdera seu “título de eleitor” pelo mesmo motivo… e até para andar de ônibus tinha dificuldades!
   Tudo caminhava para uma condição onde só poderia comprar ou vender qualquer coisa quem tivesse cadastrado biometricamente a palma de suas mãos e suas retinas e, mais curiosamente, apenas a palma da mão direita4 era utilizada na maioria dos casos!
   Foi por ocasião de tais mudanças que recebeu a doação material mais estranha e valiosa de toda a sua vida até aquele momento: foi-lhe entregue, através de um viajante, dentro de uma caixa, uma “luva” de silicone especial que simulava as rugosidades de uma mão direita.
   Outra característica impressionante daquele material era sua adaptação à cor da pele do usuário…
   E as surpresas não pararam por aí, pois o maior susto foi quando decidiu testar a luva em uma máquina do sistema bancário… e relacionados àquela palma estava depositada uma quantia impressionante, com a qual poderia viver com tranquilidade pelos próximos anos!
   O ponto intrigante daquilo é que ele nunca soube quem praticara aquela boa ação, pois dentro da caixa havia apenas um bilhete: “sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”…
   Foi também essa luva que provou a ele que o sistema biométrico nunca foi tão seguro quanto queriam que a população acreditasse, mas, naquele momento, não parou para se preocupar com isso: quitou sua dívida eleitoral, vendeu a casa onde morara por tanto tempo e comprou um sítio relativamente afastado dos grandes centros.
   Plantava alguma coisa e fez um estoque razoável (não esperava mesmo que o mundo fosse perdurar por muito tempo…), lembrando de alguns que o criticavam por “não depositar confiança em Deus”, que “Deus Cuidaria de tudo”… ali estava sua resposta a todos eles: Deus não jogou a arca no colo de Noé e nem transformou José em líder no Egito sem que ele tivesse aprendido a trabalhar naquilo com perfeição.
   Dispondo dessa tranquilidade, adquiriu um sistema de dados via satélite e, após algum tempo ausente, voltou a publicar seus textos na internet, emulando seus endereços de modo que indicassem que estaria postando a partir de algum dos poucos países que ainda não haviam se submetido ao regime de “paz e amor” universal estabelecido no dia em que os “extraterrestres” se revelaram a humanidade, mas isso é assunto para um outro dia… se houver um outro dia.
REFERÊNCIAS BÍBLICAS:
  1. “Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.” (Mateus 24:21)
  2. “E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.” (Daniel 7:24-25)
  3. “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.” (2 Timóteo 3:1-9)
  4. “E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.” (Apocalipse 13:16-17)
  5. “João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém. (Apocalipse 1:4-6)

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