15 de dez de 2011

O TEXTO ABAIXO FOI ESCRITO SOB PERSPECTIVA ESTRITAMENTE BÍBLICA,
PARA O PÚBLICO QUE TEM NA BÍBLIA SUA REGRA DE FÉ E VIDA.

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brecha
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2.2.5 — “Brechas”
Este é um outro ensino amplamente divulgado pelo MBE e, de acordo com os pregadores do movimento, “brechas” são pecados que cometemos que, invariavelmente, dão toda a autoridade legal para o diabo agir contra nós.
Robson Rodovalho, em seu livro “Por trás das Bênçãos e maldições”, fala-nos sobre isso:
“Quando uma pessoa pratica o pecado, ela abre brecha em sua vida.
A proteção espiritual está sendo levantada, e a partir daí as maldições poderão tocá-la.
Por exemplo: nós encontramos Satanás dizendo a Deus que não poderia tocar a vida de Jó, pois ele estava protegido por esta sebe… Sempre que uma pessoa peca inconscientemente ou voluntariamente, ela abre uma brecha nesta cerca.
Consequentemente, os espíritos maus começam a ter acesso à vida e ao coração dela. Os espíritos malignos entram aonde foi feita a brecha. Somente o perdão de Deus poderá repará-la.”
(Robson Rodovalho — POR TRÁS DAS BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES, pág. 29)
Ainda sobre isso Neuza Itioka comenta:
“Tanto Thomas White como Robert Linthicum confirmam através dos seus escritos que corporativos de uma comunidade cristã local podem se transformar numa abertura para a invasão de principados e potestades que, por sua vez, vão se fortalecer com os mesmos pecados, para se Ter todos os direitos legais para oprimir e definhar a igreja.”
(Neuza Itioka — A IGREJA E A BATALHA ESPIRITUAL, pág. 67)
Dentro do pensamento do MBE, a frequência de um determinado pecado na vida do crente, do incrédulo, de uma comunidade, cidade, nação, concede ao diabo legalidade para intentar contra aquele que comete o pecado.
O conceito de “brechas” nas Escrituras
“Não deis lugar ao diabo.” (Efésios 4:27)
“… para que não sejamos vencidos por Satanás; Porque não ignoramos os seus ardis. (2 Coríntios 2:10c-11)
A santidade, nas Escrituras, é algo que é constantemente falado: a palavra “santo” (e seus derivados) aparecem em 464 versículos, portanto, é mais que evidente que o crente deve buscar a santidade cada vez mais em sua vida.
No entanto, é necessário que estejamos atentos à motivação pela qual deve-se buscar a santificação: deve-se buscar a santificação com interesse em que o diabo não tenha legalidade sobre a vida… ou deve-se buscar a santificação por amor e temor a Deus?
Creio que a santificação — que é fruto do trabalhar do Espírito Santo na vida do crente — tem como fim maior o agradar a Deus (Levítico 11:44; 19:2; Efésios 1:4; Hebreus 12:14; 1 Tessalonicenses 4:7).
A santidade trás os benefícios de estar em paz com Deus e consigo mesmo.
Quando as Escrituras escrevem exortando-nos a buscar a santidade, ela o faz pensando no sucesso do relacionamento entre o homem e um Deus santo e, também, pensando no nosso bem estar: quando buscamos a santidade, o fazemos porque amamos o Senhor e não para que o diabo não tenha legalidade.
Quando nossa conduta não está de acordo com os padrões de Deus para nós, nós temos que nos ver com Deus e não com o diabo!
É por isso que somos exortados a buscar o arrependimento.
Pensemos no pecado de Davi com Bate-Seba (2 Samuel 11): Davi adulterou e cometeu homicídio: este pecado horrendo trouxe grandes males para Davi, sua família e seu povo.
A partir daí poderíamos dizer que o diabo passou a ter “legalidade” sobre a vida de Davi?
De forma alguma! A vida de Davi ainda pertencia a Deus e Este o tratou conforme seu pecado:
“Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o Senhor: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol (…) Então Natã foi para sua casa; e o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente.” (2 Samuel 12:10-11, 15)
2.3 — MÉTODOS DE “GUERRA”
2.3.1 — Mapeamento Espiritual
mapeamento
Um método de guerra usado pelo MBE é o mapeamento espiritual.
Segundo os pregadores do movimento, o evangelista precisa, antes de mais nada,  conhecer historicamente, politicamente, socialmente e espiritualmente a região onde vai trabalhar.
Mapeamento Espiritual consiste em estudar a história do lugar onde se deseja evangelizar e “discernir” a entidade espiritual que atua nesta determinada região.
Seria o estudo da história da região e das características econômicas, políticas, sociais e morais que lhe são próprias. Em seguida, faz-se uma identificação com o demônio que poderia lhe atribuir estas qualidades.
Peter Wagner diz o seguinte sobre o assunto:
“Uma área relativamente nova da pesquisa e do ministério cristãos, ligada de perto com a questão de nomear as potestades, chama-se ‘mapeamento espiritual’… Trata-se de uma tentativa para ver uma cidade, uma nação ou o mundo inteiro conforme realmente é, e não como parece ser.”
(Peter Wagner — ORAÇÃO DE GUERRA, pág. 144)
Neuza Itioka também fala sobre o assunto da seguinte forma:
“É importante ressaltar que a identificação dos principados e potestades de alta hierarquia espiritual, não se dá apenas pelo dom espiritual, mas, por analisar as características da cidade, conhecendo a história da sua fundação, do seu desenvolvimento.”
(Neuza Itioka — A IGREJA E A BATALHA ESPIRITUAL, pág. 55)
No esforço em amarrar, expelir e amordaçar demônios “territoriais”, os pregadores do MBE ensinam que devemos procurar saber o nome do demônio com o qual estamos guerreando, para que possamos ter mais autoridade sobre ele.
Peter Wagner deixa isso bem claro em seu livro “Oração de guerra”:
“Até onde for possível, os intercessores deveriam buscar saber os nomes, próprios ou funcionais, dos principados distribuídos na cidade como um todo e entre os vários segmentos geográficos, sociais ou culturais da cidade.”
(Peter Wagner — ORAÇÃO DE GUERRA, pág. 170)
O mistério de libertação Shekinah, dando ouvidos a este conselho, em seus cursos de libertação, cita uma lista de nomes de demônios:
“Principados ligados a Satanás:
  • Brumaus;
  • Krucitas (atrás das cruzes);
  • Ashtoreth (governa as estrelas);
  • Tremus (tem subordinado Leviathan, governador, aprisionando sob aceano, sob o ‘triângulo das Bermudas’);
  • Diana (idolatria e prostituição — culto a deuses, tem como subordinados 3 autoridades mundiais: Damian, Asmodeus e Belzebu);
  • Dagon (sacrifício de animais e crianças);
  • Nimrod (guerreiro que prepara a guerra do Armagedom);
  • Dragon (astrologia — consome a sabedoria dos homens — Anticristo);
  • Syria (guerreiro como o príncipe do reino da Pérsia de Daniel).
Autoridades mundiais:
  • Damian;
  • Asmodeus;
  • Belzebu;
  • Arios;
  • Mengue-Lesh;
  • Nosferasteus.
Outros demônios:
  • Amishie (Costa Rica);
  • Aurius (protege e leva mensagens a Satanás, como Gabriel faz com Deus);
  • Cumba (África);
  • Izmaichia (Europa e meio Oeste);
  • Krion (América Central);
  • Kruonos e Krutofor (atacam igrejas que praticam batalha espiritual);
  • Mamom (riqueza);
  • Sinfiris (sede de sangue); e
  • Yemanjá (América do sul).”
(Missão Evangélica Shekinah — PREPARAÇÃO DE MINISTRADORES NA ÁREA DE LIBERTAÇÃO E CURA INTERIOR, pág. 19)
Uma certa Magnólia de Campos Araújo, teve uma revelação que foi escrita por Mátiko Yamashita (Ministério Batalha Espiritual).
Nesta revelação ela entrevista uma série de “principados e potestades” e, segundo ela, tais informações foram prestadas sob juramento.
O primeiro demônio a ser entrevistado foi Lúcifer.
Segundo Magnólia, ele tem a aparência de um cabrito preto, vestido de homem, luvas e sapatos, no pescoço aparecem os pelos de cabrito. Tem chifres pequenos e bigodes, cavanhaques pequenos e finos.
Este disse que são sete príncipes negros; e cada um tem nove subordinados; e cada subordinado tem 32 outros subordinados.
Desses 32, 9 são ligados diretamente a ele.
Magnólia perguntou a Lúcifer qual era o “príncipe do Brasil” e este lhe respondeu que, atualmente, o cargo está vago, pois Iemanjá (Aparecida) foi destronada no dia 12 de outubro de 1990.
Magnólia perguntou sobre os príncipes de São Paulo e Rio de Janeiro e “Lúcifer” respondeu que são o príncipe do inconformismo e o “língua de fogo”, respectivamente.
Um outro demônio entrevistado foi o “Minotauro” que, segundo as informações do próprio demônio, é originado da Grécia antiga, sendo um anjo caído e gênio da destruição.
Possui corpo de homem, cabeça de touro, com chifres voltados para o centro da cabeça.
Um outro entrevistado por Magnólia foi a “Iemanjá”.
As informações a respeito deste demônio não foram dadas por ele mesmo, mas pelo “Pomba-gira”: Iemanjá é um príncipe comandado por Diana e Dionísio; tem a aparência de mulher, cabelos longos, usa vestido decotado, longo, azul ou branco.
Quem pensa que para por aí, esta enganado — Magnólia “identificou” uma série de outros demônios: Bonzo, Buda, Centauro, Lísipe, Gênio, Fauno Pan Sátiro, Pitonisa de Delfos, Pomba Gira, Espírito de Aborto, Espírito de Bronquites, Benzai-tem ou Benten, Exú Caveira, Xangó e Espírito de Jezabel…
(Cf. declaração de Magnólia de Campos Araújo, escrito por Mátiko Yamashita, 30.10.90. Obra não publicada)
O que a Bíblia diz sobre mapeamento Espiritual?
Tento imaginar Paulo escrevendo aos crentes da igreja primitiva a fim de exortá-los a fazer um mapeamento espiritual das cidades onde moravam…
Talvez, ao invés de Paulo falar sobre justificação pela fé aos Romanos, ele diria para que estes identificassem e combatessem o demônio romano!
Quem sabe se Paulo não falasse sobre conduta cristã aos Coríntios, ele falasse sobre como amarrar a potestade que regia aquele lugar?
Imagino Paulo incentivando aos Colossenses a mapear o seu território… ao invés de alertá-los contra as influências do judaísmo e gnosticismo.
Éfeso era uma cidade profundamente religiosa: os efésios adoravam à Diana, a deusa da fertilidade — para ela foi construído um templo cuja construção durou trinta anos!
Na conclusão da obra, foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo: a imagem de Diana ficava neste templo, sendo conhecida e adorada por todos os cidadãos daquela cidade.
De acordo com o relato bíblico (Atos 19:1-20), Paulo pregou naquela cidade por três anos.
Houve tal avivamento decorrente da pregação de Paulo que enfermos traziam peças de roupas para que Paulo as tocasse, a fim de que seus donos fossem curados.
Até os praticantes de artes mágicas , arrependidos, traziam seus livros para que fossem queimados em praça pública!
Em Éfeso, Paulo fundou a igreja mais forte do primeiro século: tal foi a obra que Deus fez naquela cidade, que o culto a Diana foi perdendo o seu vigor até que, em 262 d.C, seu templo foi saqueado e incendiado pelos godos, vindo a ser fechado pelo édito de Teodósio (que fechou todos os templos pagãos).
Qual foi a fórmula de tal sucesso evangelístico?
A Bíblia não diz que Paulo, antes de entrar a cidade de Éfeso, ficou mapeando-a, tentando identificar o demônio que ali estava: se isso fosse algo tão importante a se fazer, porque Lucas, ao dar o relato histórico, não nos forneceu tais diretrizes?
Na verdade, Lucas conta-nos o segredo do sucesso:
“E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos.” (Atos 19:10)
A pregação da Palavra de Deus: eis o segredo do sucesso!!!
Os pregadores do ensino de mapeamento espiritual argumentam que Paulo mapeou a cidade — ainda que não conste no relato bíblico.
No entanto, imagino que, se este fato fosse concreto, esperávamos que Paulo não enfrentasse maiores resistências do povo daquela região, conforme ensina o MBE… porém, de acordo com o relato bíblico (Atos 19: 23-41), Paulo veio a enfrentar muita oposição!
Jesus nos ordenou:
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado.” (Mateus 28:19-20a)
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15)
Jesus ao enviar aos doze disse:
“E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.” (Mateus 10:7)
Quando enviou os setenta, Jesus disse:
“E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus.” (Lucas 10:9)
Jesus, em MOMENTO ALGUM, nos orienta a mapear regiões, descobrir nomes de demônios e amarrá-los!
Se isso fosse de suma importância para o sucesso evangelístico, o próprio Senhor Jesus nos teria ordenado fazê-lo!
Paulo Romeiro comenta sobre isso com muita propriedade:
“Ora, não se destrona principados e potestades para depois pregar a Palavra de Deus, mas primeiro se prega a Palavra, pois ela, sim, tem o poder para vencer as potestades malignas.”
(Paulo Romeiro — EVANGÉLICOS EM CRISE, pág.141)
Horton também comenta sobre isso da seguinte forma:
“O Mapeamento espiritual, promulgado por crescente número de missiólogos, tenta identificar ‘pontos quentes’ de atividade demoníaca com o alvo de ‘amarrar’ os opressores malignos da região.
Naturalmente, soa como algo saído de um livro medieval de superstições, mas é levado muito a sério por bom número de líderes evangélicos…
Naturalmente, as Escrituras não relatam nenhum exemplo de pessoas se salvando antes de ouvir a pregação da Palavra.”
(Michael S. Horton — O CRISTÃO E A CULTURA, pág. 16)
Quero concluir este assunto dizendo que não encontro nas Sagradas Escrituras nenhum respaldo para o ensino de mapeamento espiritual: cabe a nós pregar o evangelho do Cristo ressurreto a toda criatura, crendo que ele é poderoso para a salvação de todo aquele que nele crê e também para expulsar principados e potestades.
2.3.2 — Oração de Guerra
warprayer
“Oração” todo mundo sabe o que é: é o modo como o homem chega até Deus — através de Jesus, é claro! — em temor, adoração, louvor, petição e comunhão.
No entanto… o que seria “oração de guerra”?
Chegamos ao cerne da doutrina do Movimento de Batalha Espiritual!
Este é o centro, a essência de toda a sua teologia: todas as demais coisas giram em torno do seu conceito de “como fazer guerra a Satanás”.
De acordo com os propagadores do MBE, existem três níveis de guerra espiritual:
  1. O nível solo — que seria a expulsão de demônios;
  2. O nível de ocultismo — que seria o confronto a atividades demoníacas expressas em seitas ocultistas;
  3. O nível estratégico — que é a guerra que se faz a espíritos territoriais.
A “oração de guerra” é feita neste último nível — o nível estratégico — e consiste em identificar os poderes espirituais malévolos atuantes em um determinado lugar e expulsá-los.
Como expulsá-los?
Ordenando que o façam, declarando, determinando, impedindo os seus atos através da palavra falada.
Neuza Itioka, em seu livro “A igreja e a Batalha Espiritual”, comenta sobre o assunto:
“Exercer autoridade sobre os demônios significa, não apenas expulsar demônios das pessoas oprimidas, mas, também, exercer autoridade sobre as forças do mal que têm domínio e controle sobre os pecados e vícios, tais como materialismo, violência, sensualidade, miséria e injustiça social bem como resistir e destronar principados e potestades que tem jurisdição sobre áreas geográficas.”
(Neuza Itioka — A IGREJA E A BATALHA ESPIRITUAL, pág. 54)
Cesar Augusto em seu livro “Guerra Espiritual”, também fala algo semelhante:
“Quando estamos guerreando contra as forças das trevas, sejam dominadores de enfermidades, homossexualismo ou drogas, necessitamos da declaração contra esses demônios, pois através dela, podemos alcançar a vitória.
Há momentos na luta espiritual, que não necessitamos mais de uma oração intercessória e sim usar a autoridade que o Senhor nos deu e declarar a vitória através do nome do Senhor. A declaração ordenativa muda situações e ambientes e nos da a vitória.”
(Cesar Augusto — GUERRA ESPIRITUAL, pág. 35)
De acordo com o ensino do MBE, a oração de guerra é a chave para o sucesso da evangelização: a evangelização só pode ocorrer se antes repreendermos, amarrarmos e expulsarmos o “homem forte” que domina no lugar onde evangelizarmos.
Tal é a seriedade que este princípio é apregoado que é também chamado de “evangelismo de oração”!
Peter Wagner, em seu livro “Oração de Guerra”, comentando sobre o assunto, faz uma citação de outro proeminente pregador da oração de guerra:
“Edgardo Silvoso, assevera que Annacondia e outros proeminentes evangelistas argentinos incorporam em seu trabalho evangelístico uma nova ênfase sobre a guerra espiritual- o desafio aos principados e potestades, bem como a proclamação do Evangelho ao povo, mas também aos carcereiros espirituais que conservam as pessoas cativas. A oração é a variável principal, de acordo com Silvoso. Os evangelistas começam a orar pelas cidades, antes de proclamarem o evangelho ali. E somente depois de sentirem que os poderes espirituais que dominam uma região foram amarrados, é que eles começam a pregar.”
(Peter Wagner — ORAÇÃO DE GUERRA, pág. 26)
Em seu livro “Que nenhum pereça”, Ed Silvoso, sugere uma estratégia de guerra espiritual que consiste em seis passos. No quinto passo, ele aconselha aos leitores da seguinte forma:
“Dê início ao ‘assalto total’. Dê início a ‘conquista’ espiritual da cidade, confrontando, amarrando, e expelindo os poderes espirituais que governam a região.”
(Ed. Silvoso — QUE NENHUM PEREÇA, pág. 317)
Neuza Itioka, em um curso sobre Batalha Espiritual também da uma estratégia de oração de guerra:
  1. Louvando e entronizando ao Senhor, declarando o seu senhorio;
  2. confessando os pecados da cidade ou da nação;
  3. Pedindo perdão por elas;
  4. Identificando os demônios e os príncipes;
  5. Amordaçando, amarrando, imobilizando e destronando;
  6. Agradecendo a vitória do Senhor;
  7. Pedindo que Jesus Cristo venha agir.
(Neuza Itioka — CURSO SOBRE BATALHA ESPIRITUAL, pág. 18)
Em uma apostila sobre libertação e cura interior, a Missão evangélica “Shekinah” nos oferece um modelo de oração de guerra:
“… Satanás, eu te ordeno, em nome do Senhor Jesus Cristo, que saias da minha presença com todos os teus demônios e eu coloco o sangue do Senhor Jesus Cristo entre nós.”
(Missão Evangélica Shekinah — PREPARAÇÃO DE MINISTRADORES NA ÁREA DE LIBERTAÇÃO E CURA INTERIOR, pág. 04)
Diante de tais ensinos, as seguintes perguntas nos atiçam a curiosidade:
Até que ponto tudo isso é bíblico?
Será mesmo que a Bíblia nos ensina a identificar demônios, nas regiões celestiais, e expulsá-los?
Será que a forma de Batalha Espiritual nas Escrituras é a oração de Guerra?
“Oração de guerra” à luz das Escrituras
A fim de analisar se é bíblico o conceito de repreender potestades e principados, vejamos alguns casos, nas Escrituras, em que o ser humano foi diretamente ou indiretamente atacado por forças malignas.
Primeiro vejamos o caso de Jó.
Deus havia dado permissão a Satanás para tocar na vida de Jó:
“E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.” (Jó 1:12)
Decorrente da permissão de Deus, Satanás tirou de Jó bens, família e saúde.
No entanto, em nenhum momento vemos Jó dirigindo-se a Satanás e dizendo: “Satanás, você está manietado, amarrado, amordaçado, eu te ordeno que saias da minha vida”… muito pelo contrário! Está registrada a passagem em que vemos a incrível declaração deste homem de Deus:
“… o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1:21)
Talvez pensemos que Jó estava errado ao dizer isso, porém, no versículo seguinte, o testemunho bíblico comenta a respeito:
“Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” (Jó 1:22)
Também podemos ver o caso de Daniel.
Está escrito que Daniel estava intercedendo a Deus quando o anjo do Senhor apresentou-se a ele e explicou o que estava acontecendo:
“Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia.” (Daniel 10:12-13)
Observe que revelação estupenda foi dada a Daniel (lembrando que já vimos que este texto realmente se refere a espíritos territoriais): estava havendo uma guerra angelical no reino espiritual… e desta batalha dependia a resposta da oração!
Pensemos no que Daniel fez.
Será que ele fez “oração de guerra”?
Talvez ele tenha ordenado ao espírito maligno da Pérsia que saltasse o anjo…
Quem sabe ele não manietou o espírito para poder fortalecer o anjo que estava em apuros?
Talvez ele tenha ordenado que Miguel viesse acudir o seu amigo…
Não! Absolutamente, não! Daniel nem sabia o que estava acontecendo!
Ele simplesmente perseverou em oração a Deus, em intercessão, em súplicas diante de Deus.
Também podemos pensar sobre a estratégia missionária de Paulo.
Em sua primeira viagem missionária, Paulo foi acompanhado por Barnabé e João: ele iria passar por cidades como Salamina, Pafos, Perge, Listra, Antioquia da Pisídia, Icônio e Derbe.
Nestes lugares, eles iriam ter que enfrentar um mago, pregar para os incrédulos, passar por perseguições, curar um coxo, enfrentar uma multidão que queria sacrificar-lhes e, ainda por cima, seriam apedrejados!
Diante de tantos acontecimentos que estavam por vir, nada melhor do que manietar, amarrar, destituir o diabo, não é mesmo?
Eles deveriam — segundo o pensamento do MBE — primeiro ter amarrado o principado de cada cidade a se visitar e, só depois disso, pregar as boas novas!
Com certeza, eles não teriam, se assim o fizessem, que enfrentar perseguições, e a pregação do evangelho seria mais fácil…
No entanto, não foi isso que aconteceu.
O Espirito Santo separou a Barnabé e Paulo para esta viagem missionária (Atos 13:2) e o versículo posterior mostra o que eles fizeram antes de enviar a Barnabé e Paulo:
“E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado." (Atos 13:2)
Aí não diz que eles fizeram “oração de guerra”…
Não diz que eles primeiro amarraram os demônios das cidades que estavam por passar… simplesmente fizeram o que se espera de todo homem e mulher de Deus: jejuaram e oraram a Deus e receberam a bênção daqueles que os estavam enviando!
Outro caso que merece a nossa atenção é quando Paulo quis ir visitar os crentes tessalônicos:
“Por isso bem quisemos uma e outra vez ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanás no-lo impediu.” (1 Tessalonicenses 2:18)
Vejamos bem: Paulo, o apóstolo, iria à igreja para fazer a obra de Deus e, no entanto, Satanás lhe barrou o caminho"!
Daí segue-se a pergunta: porque que Paulo — o apóstolo, o homem que revolucionou o mundo de então com o evangelho, o homem que Deus confiou as revelações — não, simplesmente, amarrou o diabo?
Seria simples: somente bastava manietar aquele principado de Tessalônica!
Tenho respeito por aqueles que pregam a ideia da “oração de guerra”, mas não vejo apoio bíblico para tal prática… muito pelo contrário!
Judas, irmão de Jesus, ao escrever sua carta e repreender àqueles que estavam agindo com arrogância, disse:
“Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.” (Judas 1:9)
Penso que este texto clama àqueles que vivem a identificar espíritos e repreendê-los.
Champlin, comenta:
“Miguel deixou nas mãos de Deus o ‘repreender’ a Satanás. Somente Deus pode fazer isso. Assim os gnósticos supunham um poder tão alto que fazia o que somente deus pode fazer. A lição geral deste versículo é que devemos Ter respeito por elevadas autoridades e poderes espirituais. Devemos respeitar o invisível. Isso repreende tanto o ceticismo como a doutrina falsa.”
(R. N. Chanplim — NOVO TESTAMENTO INTERPETADO, VERSÍCULO POR VERSÍCULO, pág. 336)
Sobre a oração de guerra, MacArthur comenta:
“Não podemos lutar no nível humano. Não há palavras ou técnicas carnais que possam vencer uma guerra espiritual. Devemos depender de um plano e de armas espirituais para a batalha. Nossa suficiência em Cristo inclui armas que são divinamente poderosas, as quais podem destruir as fortalezas do mundo dos espíritos e todos seus pensamentos altivos que se levantam contra o conhecimento de Deus. Quais são essas armas? Elas não são frases místicas ou chavões. Não fornecem o poder de repreender ou dar ordens aos demônios. Não há coisa alguma secreta ou misteriosa a respeito destas armas. Elas não são astuciosas ou complicadas.”
(John F. MacArthur, Jr. — NOSSA SUFICIÊNCIA EM CRISTO, pág. 192)
Ainda falando sobre a oração de guerra, Ricardo Gondim comenta:
“A expulsão de demônios de uma área geográfica parece muito mais uma ação que acontece através de um avivamento da igreja que avança com seu poder de influenciar e converter pessoas e sociedades, que uma ordem que se dê aos principados e potestades.”
(Ricardo Gondim — OS SANTOS EM GUERRA, pág. 174)
Por fim, não acredito que expulsar espíritos territoriais através da ordenança seja uma prática eficiente, pois não é bíblica: entre as armas do crente contra Satanás não se encontra o “ordenar”.
Fontes: Ministério CACP
Adaptação e Atualização: Teophilo Noturno

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