5 de mai de 2011

O TEXTO ABAIXO FOI ESCRITO SOB PERSPECTIVA ESTRITAMENTE BÍBLICA,
PARA O PÚBLICO QUE TEM NA BÍBLIA SUA REGRA DE FÉ E VIDA.

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Mensagem recebida mês passado:
Boa noite, amigo!
Visitei seu site e achei muito interessante os temas abordados e os materiais para estudo.
Sou um pastor de uma igreja “neopentecostal”, mas estou aqui para, primeiro, parabenizá-lo pela sua postura firme e direta. Sei que sua opinião a respeito “dessa classe” de igrejas não é favorável.
Saiba que respeito sua opinião e até concordo com muito do seu ponto de vista. Não estou aqui para criticá-lo, mas eu gostaria que me respondesse uma pergunta, se isso não for incômodo. Percebo que você não é um néscio manipulado pelo sistema pseudo-eclesiástico desta era e é por isso que me dirijo à sua pessoa para que me exponha sua ótica espiritual.
Bem, vamos ao que interessa. Me corrija se eu entendi errado; o irmão mencionou que não frequenta nenhuma igreja, não pertence a nenhuma denominação. Se é assim, como você interpreta o texto a seguir?
“Não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hebreus 10:25)
Por favor, não me interprete mal. Estou sendo sincero, minha intenção é apenas conhecer sua opinião, pois achei interessante ver as coisas por um novo ponto de vista.
Obrigado, Paz.
Apenas para esclarecer, pinto de vermelho tudo aquilo que é suspeito ou duvidoso, ou seja, o trecho acima está dessa cor apenas para demonstrar minha estranheza ao fato de um pastor assumidamente neopentecostal se aproximar com aparente sinceridade e, ainda por cima, uma questão válida.
Meio incrédulo com tamanha simplicidade, decidi responder conforme transcrição a seguir:

Olá, pastor!
Vou apresentar, primeiramente, algo que não é de minha própria autoria, mas que, ao final, farei acréscimos. Veja a explicação de Mário Persona:
Sua pergunta é sobre Hebreus 10.25: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando‑nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”.
Quando falamos de sair do sistema denominacional, isto não significa sairmos para ficar sozinhos, porém para nos reunirmos da maneira que a Bíblia nos mostra, ou seja, somente ao nome do Senhor e sobre o fundamento de que há um só corpo (e não muitos corpos divididos por diferentes nomes).
Portanto não se trata de deixar de congregar, mas de congregar. Porém, quando entendemos que o sistema denominacional é uma perversão do plano inicial de Deus para a Igreja, temos a responsabilidade de nos apartar. Na medida em que entendemos que o sistema que os homens criaram divide os crentes por nomes e não reconhece o Cabeça que é Cristo (colocando seus próprios cabeças como papa, presidentes de igreja, etc.) devemos obedecer o que diz em 2 Timóteo 2:19: “qualquer que profere o nome de Cristo aparte‑se da iniquidade”.
O versículo em Hebreus 10:25 deixa claro que não devemos deixar de nos congregar, porém 2 Timóteo 2:19 nos exorta a sairmos do meio daqueles que estão se reunindo em desacordo com a Palavra, porém PARA NOS REUNIRMOS com aqueles que, de coração puro, invocam o Senhor (1 Timóteo 2:22).
Portanto, não é errado deixarmos uma congregação que esteja em iniquidade. A Palavra de Deus nos mostra isso. Hoje fala‑se muito: "vá a uma igreja onde a Palavra de Deus seja pregada". Isto é um engano pois há muitos lugares onde a Palavra de Deus é pregada por servos de satanás, como acontece entre os testemunhas de Jeová e os Mórmons, que negam a divindade de Cristo.
Suponhamos que um cristão esteja reunindo‑se em um lugar onde as pessoas clamam "Senhor, Senhor!", onde profetizam em nome do Senhor Jesus, onde expulsam demônios em nome do Senhor, onde fazem muitas maravilhas em nome do Senhor. Será isso suficiente para essa pessoa continuar se reunindo ali? Leia em Mateus 7:22-23 a resposta a esta pergunta (leia também Apocalipse 18:4).
Vejamos o exemplo do apóstolo Paulo, cujas cartas e epístolas compõem mais da metade do Novo Testamento e são a melhor base para se estabelecer uma congregação: sem dúvida ele fazia parte de todas as Igrejas às quais escreveu, mas ninguém pode afirmar que ele era “membro” desta ou daquela, pois a verdadeira Igreja é o corpo de Cristo e nunca uma instituição que segue o modelo empresarial secular e, através do CNPJ, se torna parceira / propriedade de César.
Ao buscar o termo “congregar” na Palavra de Deus, veremos que, muitas vezes, ocorria de modo prático e, por assim dizer, espontâneo:
“E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalém, e acharam congregados os onze, e os que estavam com eles.” (Lucas 24:33)
“Acharam congregados”, ali, naquele momento… e faziam parte dessa congregação até mesmo “os que estavam com eles”, ou seja, quem quer que estivesse ali na comunhão (entristecidos pela crucificação, pesarosos, gente dando condolências…).
Isso implica que não temos como considerar aqui a “congregação” formando uma estrutura eclesiástica, mas sim a reunião, em comunhão, dos que amavam ao Senhor Jesus Cristo.
“Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto.” (Atos 15:6)
Nesse exemplo temos quase uma “reunião da diretoria”, mas ainda assim não se caracteriza uma estrutura eclesiástica da forma que fomos acostumados a ver.
“Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?” (1 Coríntios 14:23)
A condicional “se” nessa passagem é indicativo de que NEM SEMPRE toda a igreja se congregava em apenas um lugar.
Observemos agora a passagem que citou por um escopo maior:
“Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu. E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hebreus 10:22-25)
A principal questão aqui, por incrível que pareça, não é exatamente a da congregação em si, mas a da admoestação ("ANTES admoestando-nos...", ou seja, prioridade) aos irmãos que já não tem mais o coração tão purificado, cuja “confissão da esperança” já não seja mais tão firme, nos quais o amor e as boas obras já não tenham mais seu significado verdadeiro.
Se o senhor chegou a ler minha história, viu que lutei enquanto foi são: cheguei a contatar a convenção batista... mas aí surge a outra recomendação bíblica que também não deve ser desprezada:
“Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.” (1 Coríntios 5:11)
Seguida por:
“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado.” (Tito 3:10-11)
Ora, se a maior parte da “congregação” é composta por pessoas que fingem conhecer a verdade e praticam um ritual obrigatório e irracional (vão a igreja apenas por interesse nos “prêmios” ou por medo de ir para o inferno ou para ter aparência de piedade ou por achar que ir a uma reunião em empresa eclesiástica as aproximará de Deus e, por isso, ganharam um pedacinho do ticket-puzzle para entrar no céu…) e até o líder da congregação está envolto em corrupção (bíblica e, de quebra, financeira)... que comunhão tinha eu com eles?! De que adiantaria participar de programas cheios de “social”, de “psicológico” e vazios de Palavra de Deus?!
Fiel à Palavra, amando ao Senhor Deus sobre TODAS as coisas, acabei me tornando uma pedra muito pesada. O método empresarial dita que o empregado que dá problema seja demitido: como numa igreja não se faz isso, o pastor começou a “queimar o meu filme”. De repente, na igreja onde nasci, passei a ser visto como “o rebelde”, “o soberbo”… em um domingo, contrariando toda e qualquer ética pastoral verdadeira, aquele homem se utilizou do púlpito para correlacionar meu comportamento de forma a, no final, me chamar de anticristo!!!!!!!!
Ora, anticristo é quem deturpa a Palavra de Deus para criar um “ambiente social” melhor… ou por qualquer outro motivo!
Muitos se afastariam de tudo, pois confundem o Senhor Deus e Sua Palavra com as empresas eclesiásticas: chega a dar pena de quem diz “precisar da igreja para se manter firme com Deus”… esses, coitados, então nunca conheceram verdadeiramente a Deus! Pessoas que vivem sendo guiadas por um caminho de falsa edificação, sem nunca conhecerem verdadeiramente o poder da Palavra que liberta!
Desses eu me compadeço e é a esses que, através desse meu trabalho, tento edificar através da Bíblia.
Tenho certeza de que outros, ao enfrentar uma situação como a minha, largariam tudo, iriam para o “mundão”, mas (eu próprio não sei porque sou tão cabeça dura, tão chato) não consigo me afastar da Verdade, não consigo nem mesmo ignorar a impiedade que se alastra pelo mundo: maldito seja eu que não consigo tirar da minha mente e nem da minha boca a Palavra de Deus.
Perdi e ainda perco amigos.
Descobri que muitos “irmãos” eram-no apenas da boca para fora… e questiono: de que adianta esse teatrinho de falsidade? De que adianta um “convívio social” se, no momento em que eu não me curvar perante a estátua de Nabucodonosor, esses serão os primeiros a me denunciar?!
Acho que já falei demais e, não costumo mentir, estou espantado do senhor, um pastor assumidamente neopentecostal, me questionar sobre isso.
Aqueles que o fazem, usam de arrogância que só refletem em respostas ácidas, mas você foi bastante educado e não vejo motivos para tratá-lo “no limão” e estou te apresentando um ponto de vista que não era bem o que busquei (é óbvio que seria muito mais confortável estar sentado num banco de igreja, ouvindo mensagens sem questionar, sem comparar com a Bíblia… ao invés de ter que meditar na Palavra dia e noite, de buscar vivê-la na prática), mas não sei porque Deus me quis para isso.
Então, concluindo, acabei descobrindo que nunca me afastei da Igreja (verdadeiro corpo de Cristo) e tenho buscado cumprir meu papel (antes admoestando…) até agora, fiel primeiramente ao Senhor Deus (que se revela através de Sua Palavra) e disposto a amá-lO sobre todas as outras coisas, quaisquer que sejam, até o fim.
Espero que não se ire contra mim e espero que tenha um comportamento verdadeiramente cristão, pois ao contrário de muitos outros pastores e líderes falsos que a mim se dirigiram, sua questão foi pertinente e seu tratamento, educado.
O fato de ser “neopentecostal” não o desqualifica, pois se fosse “batista tradicional” também não adiantaria de muita coisa: ser cristão é viver pela Palavra, o resto é tudo bandeira de time…
A graça e a paz sejam para contigo!

Enviei estas palavras e fiquei aguardando por algum dos típicos chiliques que já estou acostumado a receber, mas a resposta que recebi foi uma das mais sinceras e emocionantes que já recebi, a ponto de até mudar do inicialmente vermelho da desconfiança para o verde da citação válida e, nesse caso, elogiosa. Vejam:
A Paz de Cristo, amigo.
Volto a me comunicar com você para agradecê-lo pelo cuidado com que tratou minha pergunta.
Sua resposta é consistente e levou-me a uma reflexão que, até o momento, me deixou pensativo: não há como refutar afirmações que são sustentadas pela própria Palavra de Deus!
Tenho que admitir que há muita ignorância no meio evangélico hoje. E não posso fingir que a igreja atual é pura e sem fermento. No entanto, eu acredito que o próprio Deus, mediante Sua Palavra e Seu Espírito, está arregimentando um exército comprometido com a verdade que irá desmascarar os enganos comerciais que se infiltraram no seio da igreja, afim de que vejamos outra vez a diferença entre aquele que serve a Deus e aquele que não serve.
Bem, o que expus acima é o que eu penso… e longe de mim julgar sua postura, uma vez que suas palavras me fazem repensar todos os meus conceitos.
E não se espante com o fato de um pastor “neopentecostal” dirigir-lhe tal pergunta (a que fiz anteriormente). Acredite: a categoria de pastores que tem menos conhecimento bíblico é justamente esta.
Isso por que, na maioria, os pastores neopentecostais são “feitos à facão”, ou seja, só aprendem a usar técnicas de persuasão e a fazer campanhas para que o povo continue andando em círculos.
Eu mesmo, nunca fiz curso bíblico ou teológico. No ministério onde sou ministro, nenhum aspirante ao ministério recebe treinamento bíblico: recebemos apenas “dicas” espirituais de como abençoar o povo.
Se hoje detenho um pequeno conhecimento teológico ou bíblico, é porque me ocupo com a leitura… na verdade, eu sempre desejei crescer no conhecimento de Deus.
Enfim, é isso.
Mais uma vez lhe agradeço por sua atenção respeitosa e amável para comigo.
Deus nos abençoe.
Diante de tamanha sinceridade, realmente passei a amar esta pessoa como um verdadeiro irmão… mesmo que nunca venha a encontrá-lo pessoalmente. Decidi endereçar-lhe mais algumas palavras:

Dou glórias ao Senhor Deus por sua vida, por sua humildade e por sua sinceridade!!!
Não é a bandeira de seu time que vai me fazer descartá-lo como irmão e, ao declarar que busca a sanidade bíblica para sua vida, provou não apenas que é um irmão, mas que o Senhor Deus tem posto em sua vida algo que muitos outros não tem: o desejo de conhecê-lO verdadeiramente!
Prepare-se, pois se continuar dessa forma, muito em breve correrá o risco de ser punido por sua liderança: não são poucos os que me contataram para dizer que, ao questionar biblicamente alguma “visão denominacional” conflitante, foram retirados de suas posições… alguns até mesmo foram retirados do púlpito em pleno momento de sua pregação… você está pronto para isso?
Apesar de minha latente felicidade, não sou eu quem vai glorificar ninguém pela fidelidade… será o próprio Senhor Deus!
“Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte.” (Apocalipse 2:9-11)
Sempre que necessitar falar sobre a Palavra de Deus, estarei à sua disposição, assim como pode ter certeza que estarei orando por você.
Que o Senhor Deus te proteja e abençoe!

Algumas pessoas se escandalizam, não acreditam ou ficam incomodadas pelo fato de eu não frequentar nenhum dos atuais templos-clube há mais de seis anos, mas ninguém pode me acusar de, algum dia, sequer haver insinuado que estes devam ter suas atividades encerradas.
Sei bem que, no meio de tanta apostasia, cabe aos cristãos genuínos priorizar a pregação do verdadeiro evangelho e alcançar aqueles corações prontos para aceitar e se render à Verdade: isso, sem dúvida, é a verdadeira missão!
Não precisamos ficar sonhando com aventuras na África quando aqui mesmo, dentro das igrejas, encontramos pastores pedindo para conhecer mais da Palavra!
A transcrição acima é um exemplo real, cujas humildade e sinceridade do remetente muito me emocionaram, me provando que ainda resta alguma esperança (nunca para uma “nova reforma”) e me fazendo refletir seriamente sobre a seguinte passagem:
“E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós.” (Marcos 9:38-40)
Sem dúvida, no meio de um oceano de joio, é nossa a responsabilidade de abrir espaço para que o trigo possa receber a Luz!

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